Lindo"

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Prece da Serenidade


Prece da Serenidade
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para distinguir umas das outras.
Paz e Luz!
Laura


Aula: Sede Perfeitos - O Homem de Bem – Perdão



Aula: “Sede Perfeitos - O Homem de Bem – Perdão”
Turma: Adaptável a todas as idades
Bibliografia: Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XVII, item 3, § 10

I – Acolhida e Harmonização. Duração – no máximo cinco minutos.
1 – Exercício: Colocar um cd com música bem suave. Quando as crianças entrarem na sala, pedir para se postarem em círculo e fazerem o seguinte exercício: com todos em silêncio, murmurar o nome de duas crianças que, sem ruído, trocam de lugar enquanto os outros permanecem imóveis. Continuar até todos trocarem de lugar.
2 – Relaxamento:
3 – Respiração:
Obtido o relaxamento muscular, cada um passa a concentrar sua atenção na respiração, inspirando naturalmente, com a boca cerrada, retendo o ar um pouco e expirando, abrindo suavemente os lábios.
Este método de respiração, utilizado diariamente possibilita uma renovação orgânica e, em conseqüência, maior vitalidade.
  II. Prece.
 III. Atividades
1)   Pegar o “Baú do Tesouro” e colocá-lo no centro da mesa. Dizer: “Aqui está nosso baú do tesouro”, será que hoje vamos poder juntar mais bens espirituais aqui em nossa sala? Inquirir um a um sobre as virtudes cultivadas e boas ações praticadas durante a semana, preencher os coraçõezinhos com o nome de cada Evangelizando e o bem espiritual cultivado naquela semana, entregar para o mesmo colocá-lo no baú. Incentivá-los a continuar cultivando boas atitudes, bons pensamentos e boas palavras, a fim de promoverem a reforma íntima e “encherem” o Baú do Tesouro.
2)   Se não estiver chovendo, levar as crianças para o pátio onde vc previamente terá estendido um lençol bem clarinho (ou uma toalha). Pedir às crianças que se sentem para ouvir uma estória. Se estiver chovendo vc deverá estender o lençol na própria sala de aula. Dizer às  crianças que aconteceu um fato muito interessante com um garoto. Começar a narrar:
“O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.
 Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado.
Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo
comigo.Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho, faz de conta que aquele lençol branquinho que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco no lençol, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.
Nesse momento o Evangelizador deverá interromper a narrativa e perguntar: alguém já lhe fez sentir tanta raiva que vocês, como o Juca, ficaram tão bravos? Aguardar as respostas. Abrir um saco de carvão e entregá-lo às crianças, que deverão ficar de pé bem afastadas do lençol. Propor que, como o Zeca, eles imaginem que o lençol seja aquelas pessoas a quem eles desejam agredir por haver ferido seus sentimentos. Lembrá-los: olhem, cada pedaço de carvão é um mau pensamento que vocês tiveram contra essa pessoa. Vão, joguem tudo nela!
Quando as crianças terminarem, pedir para se sentarem novamente. Perguntar: E então, como vocês estão se sentindo?
Depois das respostas, apresentar um espelho (se possível grande) E fazê-los observar que eles estão realmente muito sujos. Contar que isso também aconteceu com o Zeca, que quando terminou de esvaziar o saco de carvão viu seu pai aproximar-se e perguntar:
- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado mas alegre porque acertei muitos pedaços de carvão no lençol.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto!  Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então lhe diz ternamente:
- Filho, você viu que o lençol se sujou, mas olhe só para
você: está muito mais sujo que ele! Quando desejamos o mau para os outros estamos “sujando” nosso coração com maus sentimentos. Podemos até atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos de ira e revolta, mas a borra, os resíduos, a fuligem desses maus pensamentos ficam sempre em nós mesmos, acumulando-se e nos causando desarmonias e doenças.”
3)   Ajudar as crianças a se limparem.
4)   Começar a explicar que:
Ø  Nossos sentimentos, nossas emoções influenciam nossa vida. Nós não conseguimos ver a energia fluindo através dos fios, mas quando ligamos o interruptor vemos a lâmpada se acender. Pedir aos Evangelizandos para olharem atentamente para as pás de um ventilador desligado e descrevê-las. Depois, ligar o ventilador na velocidade máxima e pedir para eles fazerem o mesmo. Explicar que eles  não conseguem ver as pás agora porque estão girando, mas apesar de não as conseguirem ver podem sentir o efeito que elas produzem (o vento).
Ø  Assim também funciona a energia que emana de nós, através do que pensamos e sentimos. Não podemos vê-la, mas sentimos e os outros também a sentem
Ø  Ao acumular raiva, mágoa e tristeza dentro de nossos corações eles ficam pesados e muito feios, cheios de sujeira. Nós então ficamos muito doentes, doentes no coração e no corpo.
Ø  Jesus, porém, nos deu um remédio muito eficaz contra essas doenças. Perguntar se eles sabem qual é esse remédio? Aguardar as respostas. Ir dando dicas até eles conseguirem descobrir:
Ø  O PERDÃO!!!!!!!!!!!!!!!
Ø  Perguntar o que eles acham que é perdoar. Diante das respostas, aprofundar o tema:
Ø  Às vezes dizemos que perdoamos, mas falamos só com os lábios, assim, da “boca para fora”. Perdoar de verdade é perdoar com o coração.
Ø  Só perdoamos verdadeiramente quando nos esquecemos completamente da ofensa recebida, e não temos qualquer sentimento mau contra aquele que nos ofendeu.
Ø  Devemos nos esforçar a todo instante para perdoar, e pedir a Jesus e aos bons espíritos que nos auxiliem nesse trabalho diário para o nosso crescimento espiritual.
Ø  Todos nós cometemos erros. Muitas vezes nós ofendemos aos amigos, aos vizinhos, e na maioria das vezes fazemos isso até sem pensar, não é mesmo? E quando nós ofendemos, não gostamos de ser perdoados?
Ø  Deus nos deu a oportunidade de nascermos agora para sermos melhores. Só seremos melhores se conseguirmos aproveitar nossa reencarnação para domar nosso orgulho e vaidade.  Todos os dias que treinar o senrtimento do Amor e cultivar a humildade.
Ø  Se estiver muito difícil de perdoar quem nos ofendeu, devemos nos lembrar das muitas vezes que ofendemos aos outros e necessitamos de também sermos perdoados.
Ø  Jesus nos ensinou a Amar acima de tudo.  Ele nos ensinou também a orar e vigiar.  Quando praticamos esses ensinamentos, não deixamos nenhum sentimento negativo nos dominar.
Ø  Quando formos ofendidos, devemos orar e pedir a Deus  força e coragem para que possamos não querer mal à pessoa que nos ofendeu e nos ajude a perdoar.
Ø   A  grandeza do perdão está no esquecimento de todo o mal que  nos foi causado. 
Ø  Devemos orar por aqueles que não descobriram a beleza do perdão.
Ø  Chegará o dia em que estaremos tão evoluídos que não será preciso perdoar ninguém, pois nós não nos sentiremos mais ofendidos por nada nem por ninguém.  Para isso é necessário treinar o perdão dia a dia, pois ninguém consegue possuir uma virtude sem ter treinado muito.
5)    Montar um coração de origami com as crianças, e depois disponibilizar pedrarias e lantejoulas para que eles o enfeitem. Colocá-lo em um cordão, e dar de presente às crianças para se lembrarem de cultivar o perdão e o amor, para terem um lindo coração.


Esquema:


6)   Cantar a música “Videogame do Amor” de César Tucci, CD Cancioneiro Espírita 3:

Letra:
C
Imaginei um vídeo-game diferente
                 G
Onde o herói fizesse o bem prá toda gente
                 G7
E quanto mais amor soubesse dar
                 C             G
Mais somaria pontos no placar
             C             
E cada vez que esgotasse a sua vida
              G
Renasceria e ganharia outra vida
                      G7
Com novas chances de recomeçar
               F                 C     C7
Outros valores conquistar
                 F                
Em vez de tiro, violência, soco e pontapé
          C 
Sabedoria, caridade, amizade e fé
               G
Serão as armas poderosas deste nosso herói
                C                               C7                           
No vídeo-game que eu sonhei prá nós
                  F    
Em vez de tiro, violência, soco e pontapé
            C   
Sabedoria, caridade, amizade e fé
                G 
Serão as armas poderosas deste nosso herói
                 F                               C
No vídeo-game que eu criei prá nós

8)      Prece Final.
   Subsídios para o Evangelizador:
  Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.
 Aprendendo com a Natureza
Sem aproveitar o concurso daqueles que nos ferem, não conseguiríamos satisfazer aos impositivos da evolução.
O ensinamento do Mestre, no que tange à tolerância e ao amor para com os adversários, é lição viva nas esferas mais simples da Natureza.
Vejamos, por exemplo, a história breve do pão que enriquece a vida.
Se a semente não suportasse a terra que a asfixia, não teríamos a germinação promissora.
Se a plantinha tenra não tolerasse a enxada que lhe garante a limpeza, embora, por vezes, dilacerando-lhe as folhas, não conseguiríamos a floração.
Sem a renúncia da flor a benefício da colheita, o celeiro seria relegado à secura.
Se o grão não perdoasse à mó que o desintegra, não obteríamos a cooperação da farinha .
Se a farinha convenientemente preparada não desculpasse o calor do forno que a sufoca, o pão não saciaria a fome das criaturas.
Indispensável recorrer às lições singelas do ambiente em que repiramos para entender a necessidade de nossa adaptação às Leis que nos regem.
Conflitos, discussões e contendas, simbolizam combustível no incêndio destruidor da discórdia.
Por isso mesmo a sustentação de antagonismos e disputas é indébita conservação do desequilíbrio arrojando-nos inevitavelmente à enfermidade e à morte.
Teimosia e rebelião, mágoa e azedume não atendem nas edificações do Cristo de Deus.
Procuremos o nosso lugar de servir, reconhecendo que a direção é prerrogativa do Divino Mestre.
Ouçamos-Lhe a voz que nos induz ao perdão incondicional e à compaixão sem limites, e, felizes seremos, em verdade, os trabalhadores fiéis do Evangelho, na estruturação da Terra melhor de amanhã.

Paz e luz! Laura 


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Aula: Sede Perfeitos - O Homem de Bem – Respeito e Igualdade


Aula: “Sede Perfeitos - O Homem de Bem – Respeito e Igualdade"
Adaptável a várias idades
Bibliografia: Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XVII, §§ 7º, 8º e 9º
I – Acolhida e Harmonização. Duração – no máximo cinco minutos.
1 – Exercício: Colocar um cd com música bem suave. Quando as crianças entrarem na sala, pedir para se postarem em círculo e fazerem o seguinte exercício: com todos em silêncio, murmurar o nome de duas crianças que, sem ruído, trocam de lugar enquanto os outros permanecem imóveis. Continuar até todos trocarem de lugar.
2 – Relaxamento:
3 – Respiração:
Obtido o relaxamento muscular, cada um passa a concentrar sua atenção na respiração, inspirando naturalmente, com a boca cerrada, retendo o ar um pouco e expirando, abrindo suavemente os lábios.
Este método de respiração, utilizado diariamente possibilita uma renovação orgânica e, em conseqüência, maior vitalidade.
  II. Prece.
 III. Atividades
1)             Pegar o “Baú do Tesouro” e colocá-lo no centro da mesa. Dizer: “Aqui está nosso baú do tesouro”, será que hoje vamos poder juntar mais bens espirituais aqui em nossa sala? Inquirir um a um sobre as virtudes cultivadas e boas ações praticadas durante a semana, preencher os coraçõezinhos com o nome de cada Evangelizando e o bem espiritual cultivado naquela semana, entregar para o mesmo colocá-lo no baú. Incentivá-los a continuar cultivando boas atitudes, bons pensamentos e boas palavras, a fim de promoverem a reforma íntima e “encherem” o Baú do Tesouro.
2)             Dinâmica:
Pedir aos Evangelizandos que lavem bem suas mãozinhas. Após todos haverem se sentado, mostrar para eles duas maçãs: uma vermelha e uma verde. Pedir que eles as segurem,  cheirem, sintam. Depois de as maçãs passarem pelas mãos de cada um, cortá-las ao meio, teatralmente, introduzindo o tema da aula, fazendo-os perceber que ambas, por dentro, são iguais (possuem a mesma polpa, as mesmas sementes, escorrem o mesmo suco. Partir as maçãs em pedaços iguais e dar um pedaço de cada maça para  as crianças comerem e perceberem que possuem também o mesmo sabor.  
• Explicar para os Evangelizandos que Deus nos criou a todos simples e ignorantes.
• Nascemos várias vezes (reencarnamos) a fim de aprendermos a ser melhores, termos diversas  experiências e ganhar novos conhecimentos.
• Todos nós já reencarnamos como ricos, pobres, sadios, doentes, bonitos, feios, menino, menina. Já nascemos e vivemos em vários lugares com culturas diferentes, já tivemos várias crenças diferentes.
• Somos, porém, todos, espíritos, filhos do mesmo Pai que é Deus e temos o mesmo destino: a perfeição. Assim, não podemos julgar ou debochar de alguém por ser diferente de nós.
• Existem diferenças físicas, emocionais, comportamentais, por exemplo: um é negro, outro branco, outro índio, um usa óculos, outro não pode andar. Um é alto, outro magro. Um é mais extrovertido, outro mais tímido, mas somos todos irmãos, como nos ensinou o Mestre Jesus. Assim como em casa quem tem irmão ou priminho menor os ajuda, devemos sempre ajudar-nos uns aos outros nas dificuldades.
3)             Passar o vídeo Na minha escola todo mundo é igual”, discutir com as crianças sobre o vídeo.

4)             Passar o vídeo "Bulling" e comentar:

5)“Tudo bem ser diferente”, para aprofundar o tema.
6)             Cantar a música “A Foquinha” de Sônia da Palma:

Letra:
Respeitável público e agora com vocês
Foquinha, a foca fofa e linda!
Foquinha é linda, toda pretinha,
É tão gordinha, não tem perninha
E quando bota a bola no nariz Ih...
Equilibra,  não deixa cair
Joga no chão, bate palminha
Tlap, tlap
Todo mundo
Tlap, tlap
Pede bis!
Os animais são diferentes
Assim também a gente
O importante é perceber
Que cada um tem seu valor
Ter respeito e aprender a dar amor
O importante é perceber
Que cada um tem seu valor
Ter respeito e aprender a dar amor!

7)      Confeccionar com as crianças bonecos de sucata, representando a diversidade, usando os exemplos abaixo. Depois, providenciar um globo terrestre (ou se não for possível montar um com uma bola azul), colar em uma placa de madeira ou isopor, posicionar os bonecos em volta e colar letras feitas de bandeirinhas com a frase: SER DIFERENTE É NORMAL! Deixar em exposição.




8)      Prece Final.
     
Subsídios para o Evangelizador:
   “ É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos os homens como irmãos.
            Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele.
            Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.” ESE

Tolerância e Respeito

Sérgio Biagi Gregório
SUMARIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Sobre a Tolerância: 4.1. Os Vícios e as Virtudes; 4.2. Formas Falsas e Formas Verdadeiras de Tolerância; 4.3. Tolerância é uma Virtude Difícil. 5. Sobre o Respeito: 5.1. O Respeito em Kant; 5.2. A Lei Áurea; 5.3. A Tolerância é Passiva e o Respeito Ativo. 6. Tolerância, Respeito e Espiritismo: 6.1. Lei de justiça, Amor e Caridade; 6.2. Cristo é o Ponto Chave da Tolerância; 6.3. O Respeito ao Próximo. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
Tolerar é bom, mas respeitar é melhor. Respeitar é bom, mas amar é melhor.
1. INTRODUÇÃO
O que significa a palavra tolerância? E respeito? Tratamos o próximo da mesma forma que gostaríamos de ser tratados? Somos severos para com os outros e indulgentes para conosco ou severos para conosco e indulgentes para com os outros? Que tipo de subsídios o Espiritismo nos oferece para uma melhor interpretação do tema?
2. CONCEITO
Tolerância – do latim tolerantia, do verbo tolerare que significa suportar. É uma atitude de respeito aos pontos de vista dos outros e de compreensão para com suas eventuais fraquezas. Esta palavra está ligada a outros termos afins: paz, ecumenismo, diferença, intersubjetividade, diálogo, alteridade, não violência etc.
Respeito – do latim respectus, de reespicere que significa olhar. Sentimento de consideração àquelas pessoas ou coisas dignas de nossa veneração e gratidão, como aos pais, aos mais velhos, às coisas sagradas, aos sentimentos alheios etc.
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Em seu sentido estrito, a tolerância é o regime de liberdade concedido pelo governo de um país, onde já se tem uma forma de religião estabelecida, de praticar qualquer outra forma de religião, ou mesmo de não seguir nenhuma.
A completa liberdade religiosa é fato recente no mundo ocidental. Antes da Reforma, a Igreja católica aplicava todo o tipo de penalidades a quem quer que se desviasse da sua ortodoxia. A Reforma (1517) deu início à tolerância, mas não de forma absoluta, pois os próprios reformadores não toleravam as teses que combatiam. Os Protestantes quiseram não só submeter indivíduos, mas nações inteiras às suas opiniões. Com isso, vimos aparecer o movimento denominado "Contra-Reforma", encetado pela Igreja católica, dando origem à "guerra das religiões", de caráter político religioso. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
A intolerância religiosa foi, no processo histórico, a maior causadora das guerras entre nações. Nesse mister, o próprio catolicismo demorou muito a respeitar o pluralismo das diversas crenças. Foi somente no Concílio Vaticano II que deixou claro: 1.º) a tolerância religiosa não se baseia no falso princípio de que todas as religiões sejam verdadeiras, mas no princípio da liberdade de consciência; 2.º) esta não dispensa ninguém do dever fundamental de fidelidade à verdade, isto é, não significa que se pode mudar de religião como se muda de roupa, mas significa que a aceitação de uma fé é um ato soberanamente livre e espontâneo da consciência. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo)
O ser humano moderno não é um Robinson Crusoe, desterrado em uma ilha, cuja única atividade era a de pescar e de caçar para sua sobrevivência. O homem tem que viver em sociedade, pois já se disse que ele é um animal político e social. E quando começa a se associar, a entrar em contato com mentes que pensam de forma diferente da sua, a contradição aparece. E é justamente aí que surge o ensejo de praticar a tolerância, que nada mais é do que o respeito para com o pensamento alheio.
4. SOBRE A TOLERÂNCIA
4.1. OS VÍCIOS E AS VIRTUDES
A virtude é a potência de um ato. É a atualização do que já existe no âmago do ser. A virtude do abacateiro é produzir abacate. A virtude do santo é produzir santidade. Segundo Aristóteles, a virtude deve ficar no meio, ou seja, nem se exceder para cima e nem para baixo. O relacionamento entre vício e virtude coloca-nos frente à lei da utilidade marginal decrescente, a qual nos ensina que o excesso de uma coisa pode transformar-se no seu oposto. Assim sendo, o excesso de humildade pode transformar-se em orgulho e o excesso de orgulho pode transformar-se em humildade. Tomemos o exemplo de Paulo. Depois da perda e recuperação de sua visão, no deserto de Damasco, o orgulhoso combatente de Cristo tornou-se o seu mais humilde servidor.
4.2. FORMAS FALSAS E FORMAS VERDADEIRAS DE TOLERÂNCIA
Existem formas falsas e verdadeiras de tolerância. Um exemplo de forma falsa é a do ceticismo, aquela que aceita tudo, subestima todas as divergências doutrinais, porque parte do princípio de que é impossível aproximar-se da verdade. A verdadeira tolerância é humilde, mas convicta. Respeita as idéias e condutas dos demais, sem desprezá-las, mas também sem minimizar as diferenças, porque sabe que é a contradição que leva ao bem comum. Nesse sentido, a frase atribuída a Voltaire, "Não concordo com nada do que você diz, mas defenderei o seu direito de dizê-lo até o fim", é providencial para elucidar o respeito que devemos ter para com os nossos semelhantes, sejam de que condições forem.
4.3. TOLERÂNCIA É UMA VIRTUDE DIFÍCIL
O dilema dos limites da virtude da tolerância pode resumir-se em dois princípios: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti" e "Não deixes que te façam o que não farias a outrem". O comodismo que norteia os nossos passos é o grande obstáculo para o não cumprimento desta virtude. Quantas não são as vezes que dizemos sim a um convite quando, com razão, deveríamos ter dito não, por faltar-nos a coragem de dizer que aquilo não faz parte de nosso projeto de vida.
Em se tratando dos erros alheios, a dificuldade está em delimitar aceitação dos mesmos. Pergunta-se: até que ponto devemos suportar as injúrias e violências, os agravos e os desatinos de nosso próximo? Qual é o limite? Jesus ensina-nos que devemos perdoar não sete, mas sete vezes sete, isto é, indefinidamente. É para sempre? Contudo, há um limite em que a paciência deixa de ser considerada virtude. Qual é o limite? Ainda: "O hábito de tudo tolerar pode ser fonte de inúmeros erros e perigos".
5. SOBRE O RESPEITO
5.1. O RESPEITO EM KANT
Em Kant, o respeito é o único sentimento comparável com o dever moral. Não é um sentimento "patológico" que procede da sensibilidade – como todos os outros – ou seja, da parte passiva do nosso ser. Ele procede da vontade. Em sua Fundamentação da Metafísica dos Costumes, define-o como a consciência da imediata determinação da vontade pela lei, ou seja, como a apreensão subjetiva da lei. Embora tenha certas semelhanças com as inclinações naturais e o temor, distingue-se de ambos porque não resulta de uma impressão recebida, mas de um conceito de razão. (Dorozói, 1993)
5.2. A LEI ÁUREA
A lei áurea já existia antes de Jesus. Os gregos diziam: "Não façais ao próximo o que não desejeis receber dele"; os persas: "Fazei como quereis que vos faça"; os chineses: "O que não desejais para vós, não façais a outrem"; os egípcios: "Deixar passar aquele que fez aos outros o que desejava para si"; os hebreus: "O que não quiserdes para vós, não desejeis para o próximo"; os romanos: "A lei gravada nos corações humanos é amar os membros da sociedade como a si mesmo".
Com Jesus, porém, a regra áurea solidificou-se plenamente, pois o mestre não só a ensinou como a exemplificou em plenitude de trabalho, abnegação e amor. (Xavier, 1973, cap. 41)
5.3. A TOLERÂNCIA É PASSIVA E O RESPEITO ATIVO
A palavra tolerância relaciona-se com o substantivo "respeito" e o verbo "suportar". Conseqüentemente, devemos não somente respeitar como também suportar Deus, o próximo e a nós mesmos. Suportar a nós mesmos deve vir em primeiro lugar, porque não há peso mais pesado do que o nosso próprio peso. Quantas não são as vezes que pensamos estar agradando aos outros e não percebemos o elevado grau de grosseria, hostilidade e autoritarismo que lhes causamos. Eles acabam nos aturando porque não têm outra saída. É o caso do relacionamento entre o funcionário e o seu chefe. Se não lhe obedecer, estará sujeito a perder o emprego.
A tolerância obriga-nos a respeitar a regra de ouro: "Não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem". Evitar fazer mal aos outros é uma atitude meramente passiva. O respeito, ao contrário, carrega uma polaridade ativa: "Amar ao próximo como a nós mesmos". De acordo com Aristóteles, enquanto o respeito constitui uma virtude que nunca pode pecar por excesso, porque quanto mais respeito se tem mais se ama, a tolerância é o exemplo de uma virtude que se obriga ao meio termo porque, em excesso, resulta em indiferença, e, em falta, traz o sabor da intolerância. (Marques, 2001)
6. TOLERÂNCIA, RESPEITO E ESPIRITISMO
6.1. LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE
A Lei de Justiça, Amor e Caridade ajuda a compreender a tolerância. Segundo o entendimento desta lei, a justiça, que é cega e fria, deve ser complementada pelo amor e pela caridade, no sentido de o ser humano conviver pacificamente com o seu próximo. Observe alguém, sem recursos financeiros, jogado ao sofrimento, como conseqüência de atos menos felizes do passado. Há justiça divina, porque nada ocorre por acaso. Mas o amor e a caridade dos semelhantes podem mitigar a sua sede e a sua fome.
6.2. CRISTO É O PONTO CHAVE DA TOLERÂNCIA
A base da tolerância está calcada na figura de Cristo. Foi Ele que nos passou todos os ensinamentos de como amar ao próximo como a nós mesmos. Ele nos deu o exemplo, renunciando a si mesmo em favor da humanidade. Fê-lo, sem queixas e sem recriminações, aceitando sempre as determinações da vontade de Deus e não a sua. Em suas prédicas alertava-nos que deveríamos ser severos para conosco mesmos e indulgentes para com o próximo, e não o contrário.
6.3. O RESPEITO AO PRÓXIMO
Respeitar o próximo é não lhe ser indiferente. É procurar vê-lo no interior do seu ser. Diz-se que o sábio pode se colocar no lugar do ignorante, mas este não pode se colocar no lugar do sábio, porque lhe faltam condições para bem avaliar o que é sabedoria, conhecimento e evolução espiritual. Contudo, os amigos espirituais nos alertam que penetrar no âmago do próximo não é tarefa fácil. Podemos fazer algumas ilações, algumas tentativas, mas como pensar com a cabeça do outro?
Numa Casa Espírita, o respeito ao próximo deve ser praticado com cada colaborador. Respeitar aquele que escolheu se dedicar aos animais, aquele que escolheu se dedicar ao trabalho de assistência social, aquele que escolheu transmitir os ensinamentos doutrinários. Nesse mister, não há trabalho mais ou menos importante, porque todos concorrem para a divulgação dos princípios doutrinários do Espiritismo.
7. CONCLUSÃO
O Espiritismo, entendido como ciência, filosofia e religião, é o que mais subsídios nos dá para respeitar as crenças e os comportamentos do nosso próximo. Isto porque, "quanto mais o ser humano sabe, melhor compreende os comportamentos humanos, desarmando-se de idéias preconcebidas, da censura sistemática, dos prejuízos das raças, de castas, de crenças, de grupos".
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.
DUROZOI, G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
MARQUES, Ramiro. O Livro das Virtudes de Sempre: Ética para Professores. Portugal: Landy, 2001.
XAVIER, F. C. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1973.São Paulo, agosto de 2007

Paz e luz!
Laura

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