Lindo"

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Prece de Emmanuel


Senhor:
ante o céu estrelado,
que nos revela a tua grandeza,
deixa que nossos corações se unam
à prece das coisas simples…
Concede-nos, Pai,
A compaixão das árvores,
a espontaneidade das flores,
a fidelidade da erva tenra,
a perseverança das águas que
procuram o repouso nas profundezas,
a serenidade do campo,
a brandura do vento leve,
a harmonia do outeiro,
a música do vale,
a confiança do inseto humilde,
o Espírito de serviço da Terra benfazeja,
para que não estejamos recebendo,
em vão, Tuas dádivas, e para que o
Teu Amor resplandeça no centro de
nossas vidas, agora e sempre.
Assim seja!
Emmanuel/ Chico Xavier
Paz e Luz!
Laura


domingo, 7 de outubro de 2012

Aula: Respeito à Natureza - Sede Perfeitos - O Homem de Bem


Aula: Sede Perfeitos - O Homem de Bem – Respeito à Natureza
Turma: Jardim – Sala Joanna de Angelis
Bibliografia: Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.17, 3 § 19º
I – Acolhida e Harmonização. Duração – no máximo cinco minutos.
Colocar um cd com música bem suave. Quando as crianças entrarem na sala, pedir para se postarem em círculo e fazerem o seguinte exercício: com todos em silêncio, murmurar o nome de duas crianças que, sem ruído, trocam de lugar enquanto os outros permanecem imóveis. Continuar até todos trocarem de lugar.
Relaxamento:
Respiração:
Obtido o relaxamento muscular, cada um passa a concentrar sua atenção na respiração, inspirando naturalmente, com a boca cerrada, retendo o ar um pouco e expirando, abrindo suavemente os lábios.
Este método de respiração, utilizado diariamente possibilita uma renovação orgânica e, em conseqüência, maior vitalidade.
  II. Prece.
 III. Atividades
1)        Pegar o “Baú do Tesouro” e colocá-lo no centro da mesa. Dizer: “Aqui está nosso baú do tesouro”, será que hoje vamos poder juntar mais bens espirituais aqui em nossa sala? Inquirir um a um sobre as virtudes cultivadas e boas ações praticadas durante a semana, preencher os coraçõezinhos com o nome de cada Evangelizando e o bem espiritual cultivado naquela semana, entregar para o mesmo colocá-lo no baú. Incentivá-los a continuar cultivando boas atitudes, bons pensamentos e boas palavras, a fim de promoverem a reforma íntima e “encherem” o Baú do Tesouro. 
2)        Dinâmica:
Material: Um globo terrestre, se o Evangelizador não tiver um pode pintar os continentes numa bola azul.
Procedimento:
Os Evangelizandos deverão formar um círculo e o Evangelizador deverá se postar no cedntro do mesmo, segurando o globo terrestre carinhosamente nas mãos.
Deverá explicar que aquele globo representa nosso planeta, a Casa onde Deus nos colocou para aprendermos e evoluirmos, explicar que a Terra está sofrendo as conseqüências de nosso desrespeito, de nosso descuido, a natureza “sofre e geme em dores do parto”, como nos ensinou nosso Mestre Jesus. Dizer que cada Evangelizando deveá tomar a Terra (representada pelo globo terrestre) em suas mãos, fechar os olhos, aconchegá-la junto ao coração e expressar, em voz alga, o amor que sente por cada ser da natureza. Depois de todos fazerem o mesmo, o Evangelizador deve pedir que todos juntos segurem a Terra nas mãos, e expressem seu desejo de fazer o melhor por ela, sua promessa de cuidar da natureza e amar a todas as criaturas. 

3)        Apresentar aos Evangelizandos a “Carta da Terra Para Crianças”, explicando cada página, interagindo com as crianças:



4)        Escolher entre as páginas da Carta da Terra aquelas que representem o dia-a-dia dos Evangelizandos, repassando com os mesmos essas páginas, interagindo com as crianças, que deverão identificar os problemas que vivenciam e apresentar soluções para resolvê-los.
5)        Reciclando...
          As crianças deverão confeccionar diversos brincados feitos com material reciclado. O ideal é cada Evangelizando confeccioanr um brinquedo diferente, para se formar a idéia de quantos brinquedos legais podem ser criados com materiais que iriam para o lixo.
Apresentar a “Campanha do Natal Legal”: durante alguns minutos por dia cada Evangeliando se comprometerá a separar e reciclar materiais que iriam para o lixo, confeccionando brinquedos que serão doados para crianças carentes por todos os alunos da Escola de Evangelho no natal. Sugerir que os Evangelizandos envolvam toda a família e amigos nessa campanha. O ideal seria se pudessem envolver também as escolas do bairro, numa parceria do bem.
Sugestão de brinquedos que podem ser confeccionados nessa aula:
             a)Esse brinquedo é fantástico: siri com embalagem de sanduíche, para brincar na praia,     no parquinho, na piscina ou em casa:




b) Carrinho futurista feito com vidro de shampoo e tampinhas de garrafa: 


c) cofrinho feito  com garrafa pet e retalhos de EVA: 


 d) Super divertido esse foguete feito com embalagem de detergente! Incrível, não? 


6)        Imprimir o livro “Poesias para Crianças”, de Ângela Finzetto, Evelyn Heine, Beto Uechi e Denise Sawatani. Distribuir uma página para cada Evangelizando que deverá pintá-la e apresentar a poesia para  a turma. Ao final, o livro deverá ser exposto em um mural:









7)        Preparar num canto da sala de aula, ou numa área comum a todas as turmas (se esta aula estiver sendo aplicada a mais de uma turma) uma exposição bem bonita com diversos objetos feitos com material reciclado, que podem ser utilizados no dia-a-dia, como pufs, cortinas, tapetes, sacolas etc. Os brinquedos confeccionados pelos Evangelizandos deverão ser colocados também à mostra. Os Evangelizandos devem, ao final da exposição, estarem preparados para levar a idéia da reciclagem para os pais, irmãos, amigos. A exposição poderá ser fotografada e as fotos apresentadas num painel num local público do Centro Espírita.Exemplos:
a) Cortina de Garrafa Pet:
b) Tapetes de sacola plástica:
 c) Luminária feita de jornal:
d) Poltrona feita com tubos de papelão:


8)        Apresentar o vídeo da música “Natureza”, de Elizabeth Lacerda:

Natureza

Elizabete Lacerda

9)        Eu sou o sol
Sou um campo com flor
Sou benção de deus
Sou fonte de vida
Eu sei, sou seu céu!! é é éu
Sou a floresta.
Rio e mar!
Estrela cadente,
Sou chuva tão fresca que cai lá do céu
É é éu
Sou na na na na na na na na natureza
Sou na na na na na na na na natureza
Então cuida de mim
Eu vou cuidar de você
Preciso viver,
Quero viver
Em paz com você ê ê
No reino animal
No vegetal
No mineral
Querem viver,
Precisam viver
Em paz com você
Então cuida da vida
Cuida da água
Da abelha rainha
Dos passarinhos
Planta sementes de amor pelo chão
Cuida do nosso planeta
Sou na na na na na na na natureza
Sou na na na na na na na natureza
Então cuida do amor
Do beija-flor
Do amor pela terra
Eu amo o planeta
Todos os seres, florestas e mares, precisam de nós
De amor ô
Cuida, canta, ame o seu planeta
Preserve a nossa mãe, na na natureza
Sou na na na na na na na natureza
Sou na na na na na na na natureza
Cuida, canta, ame o seu planeta
Preserve a nossa mãe, na natureza
Sou na na na na na na na natureza
Sou na na na na na na na natureza
Então cuida de mim

IV. Prece Final.
     
Subsídios para o Evangelizador:
 "O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados."ESE, Cap. 17, item 3, 19.
DETERIORIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NUMA ANÁLISE ESPÍRITA
A Natureza é sempre o livro divino, onde Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem. Todavia, o atual e desenfreado sistema econômico é uma das barreiras que impedem a consciência de sustentabilidade ambiental. Não é preciso ter o dom da profecia, para sabermos o catastrófico cenário no porvir do nosso Planeta.
Estamos na iminência de desastres ecológicos, de consequências imprevisíveis, em face da rota de colisão entre o homem e o meio ambiente. Um relatório de uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) que estudou as mudanças climáticas, é sombrio: "Até o fim do século, três de cada dez espécies de seres vivos desaparecerão do Planeta, e a vida humana será profundamente afetada"(1).
Estudos indicam que a “mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030”(2). O estudo estima que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas, anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade.
 Os resultados dessa síndrome são alarmantes, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos; o efeito do "El Niño e La Niña", também é aterrorizante, pois que acelera o degelo das calotas polares, aumentando, consequentemente, o nível do mar e inundando regiões litorâneas. Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico. São reais os registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela região.
Os recursos "renováveis" que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente, levando-se em consideração a utilização da água potável. Certamente no futuro a sua posse (água potável) pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.
É urgente que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor à natureza.
A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os seres humanos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, no livro "O universo numa casca de noz", comenta que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”(3). Hawking explica, que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima”(4).
Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança ecológica extremamente sensível. "O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, destarte, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência"(5).
Lamentavelmente ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao tempo que ainda temos que conviver com esse desrespeito oficializado ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece é que a  necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”(6). Realmente a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral.
Devido a esses estertores de aguda dor provinda da “Mãe-Terra”, surgem, em várias partes do mundo, grupos de pessoas fanáticas, que criam seitas e cultos estranhos; abandonam emprego, família, à espera do “juízo final". “Na França há cerca de 200 seitas catastrofistas, com 300 mil adeptos. Nos Estados Unidos, 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar”(7).
Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza. Isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. "Aprender com as catástrofes de hoje para fazer frente às ameaças futuras”(8). Somos esclarecidos por Allan Kardec, que os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não são de causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus"(9).
O Livro dos Espíritos afirma ser “preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos”(10). Porém,  qualquer destruição não pode ocorrer antes do tempo. “Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente.”(11)
Os flagelos da natureza podem ter utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam, pois que “muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam”(12). A Terra não terá de transformar-se por meio de uma hecatombe que destrua de vez uma geração inteira. Até porque, os preceitos espíritas indicam que a atual geração desaparecerá gradativamente e uma nova lhe sucederá naturalmente, ou seja, uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não mais tornarão a encarnar.
Por mais difíceis que sejam os desafios a enfrentar, por conta da própria incúria humana, dinamizemos a vontade de nos harmonizar com a natureza. Não podemos esquecer que Jesus é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza.
Ante os impactos ambientais recordemos sempre que a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção humana em favor da natureza e da sociedade, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou nas consciências de Albert Schweitzer, Vicente de Paulo, da irmã Dulce, de Francisco de Assis, da Madre Teresa de Calcutá, de Chico Xavier e de Mahatma Gandhi.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
Fontes:
(1)       Relatório da comissão que estuda as mudanças climáticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), 2007
(2)       Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra
(3)       Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
(4)       Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
(5)       Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121
(6)       Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733.
(7)       Publicado na Revista ISTO É, de 4 de agosto de 1999
(8)       Mensagem do ex-Secretário-Geral da ONU , Kofi Annan, Por ocasião do Dia Internacional Para a Redução das Catástrofes Naturais, de 11 de Outubro de 2006, conforme veiculada pelo Centro Regional de Informação da ONU em Bruxelas – RUNIC.
(9)       Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536
(10)     idem, questão 728
(11)     idem, questão 729.
(12)     idem, questão 739.

Paz e luz!
Laura

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Francisco de Assis - Um Servo de Deus

    
  Sabe-se que este Espírito passou por diferentes etapas da evolução terrena. Quatro personalidades: Patriarca- Isaac, Profeta- Daniel, Apóstolo- João Evangelista e Santo- São Francisco de Assis.
        A foto representa as duas últimas vidas deste Espírito: João Evangelista e Francisco de Assis.
        O tempo não diminuiu a força da mensagem deste quase “Cristo redivivo”. Pelo contrário: no mundo conturbado de hoje, sua vigorosa personalidade fascina os homens desejosos de profunda vida evangélica. São Francisco é o Santo da ternura, do amor à natureza, da fidelidade heroica a Cristo, do serviço aos marginalizados e o construtor da paz.
        Nasceu no frio inverno de 1182 de uma família rica de Assis. Filho de Pietro Bernardone, mercadante de tecidos e Dona Pica. Veio à luz enquanto seu pai estava voltando de uma longa viagem na Provença. Sua mãe já havia escolhido o nome de João para o recém nascido, mas seu pai logo quis mudá-lo para Francisco. Na infância, sua mãe o poupava de qualquer perigo e tivera uma intuição de que ele seria preparado para uma importante tarefa que mais cedo ou mais tarde, ele teria de enfrentar... Estudou latim, provençal, o vulgar, a matemática (o pai queria que se tornasse bom contável para trabalhar no comércio), a música e o canto. A sua juventude transcorria entre o estudo, a colaboração com o pai e a “alegre companhia” dos amigos. Toda noite reunia-se com seus companheiros de vida noturna e com eles percorria as ruelas da cidade. Eram brincadeiras de rapazes solteiros, mas não excediam os limites da moral e principalmente tinham muito respeito às mulheres de um modo geral, aos mais velhos e aos pobres. Entre tanta leviandade não faltaram desagradáveis episódios de intolerância. Provavelmente foram estes momentos de aversão, que mal combinava com a séria educação que havia recebido de seus pais, fê-lo refletir cada vez mais. Certa vez um mendigo bateu à sua porta para pedir esmolas, o jovem o expulsou, mas imediatamente correu atrás pedindo perdão e pondo em suas mãos uma bolsa cheia de moedas.
        Naquela época aconteciam muitas guerras, disputas com grande movimentação política, combate entre Reis, entre Príncipes e entre Nações. Os habitantes de Assis tiveram que pegar em armas para defender o próprio solo numa guerra entre plebeus e nobres, porque esses queriam anexar Assis à República de Perúgia. Francisco, cheio de ideais, almejava ser um grande cavaleiro, queria percorrer o mundo e derramar o seu sangue por grandes causas! Por essa razão, alistou-se com seus companheiros para defender Assis. Suas batalhas, porém, duraram pouco, pois foi capturado e trancado nas prisões dos inimigos. Ficou prisioneiro durante cerca de um ano, quando neste período pôde meditar e refletir profundamente sobre a complexidade da vida humana. Certa noite recebeu estranha visita: A voz que o acompanhava há séculos, falou à sua alma, convidando-o a uma tomada de posição em consonância com a Vontade de Deus. Quando retornou ao lar, demonstrava íntima mudança. Dois anos após, um novo combate o fez alistar-se novamente e influenciou seus amigos a acompanhá-lo. Partiu com seus companheiros numa certa manhã para Apúlias. Tomaram a estrada que passa por Foligno em direção a Roma. Durante uma parada em Spoleto foi acometido por uma violenta febre que o levou para a cama e ouviu as palavras do Senhor o induziram a desistir. De volta a Assis sentiu uma grande necessidade de doar seus bens para os pobres.
O início da sua conversão.
        No outono de 1204 sua saúde começou a se restabelecer e, aos poucos, foi reencontrando suas amizades com as mesmas brincadeiras e banquetes noturnos. Entretanto, no verão de 1205 começou a perder o entusiasmo por aquela maneira de viver. Gradativamente, decidiu se isolar dos companheiros, impulsionado por uma força interior que dava outra direção à sua vida. Ora se escondia e permanecia por longo tempo em lugares ermos, ora caminhava solitário pelas estradas, pelos campos e colinas... Tinha muitas ideias, mas não sabia o que fazer. Procurava conversar com Deus, fazia perguntas e guardava no coração a inspiração de uma resposta. Dedicou-se a oração e a contemplar as passagens evangélicas da vida do Senhor, principalmente a Paixão, Morte e a Gloriosa Ressurreição de Jesus. Então, teve a oportunidade de experimentar o início de uma íntima doçura, que nascia da conversão de sua alma pela misericórdia infinita do Criador. Seu pai ausentava-se com frequência e não percebeu a transformação que ocorria com o filho. Sua mãe deixava-o livre, porém, percebeu a mudança radical, onde começou a trocar seus amigos pelos pobres que começaram a passar a tomar conta do seu pensamento e do seu coração! Escutá-los, ouvir as suas lamúrias, procurar aliviar as suas angústias, tornou-se uma obsessão para ele. Mas não suportava olhar para os leprosos, que existiam em grande quantidade, porque o seu estômago ficava repugnado com aquele cheiro de podre que emanava das suas chagas. Por isso afastava-se e evitava passar próximo deles. Certo dia, numa pequena gruta, invocava a Deus, pedia perdão pelos seus pecados e suplicava uma orientação para a sua vida: Naquele silêncio, onde só se ouviam o cântico dos pássaros, uma voz lhe disse:
        -“Francisco, se você quer fazer a Minha Vontade, despreza todas as coisas que os seus sentidos gostam! Desde o momento que assim começar a proceder, tudo aquilo que antes lhe parecia agradável, tornar-se-á amargo e insuportável; e tudo o que você detestava, transformar-se-á em prazer e numa grande doçura!
        Francisco onde estivesse cavalgando, meditava e refletia sobre a grandeza daquele significado!
        Numa bela tarde, quando cavalgava nas proximidades de Assis, encontrou um homem com estranha aparência: Aproximou-se e viu que se tratava de um leproso, pobre criatura a perambular pelos campos, em condições lamentáveis: trapo humano, sem forças nem esperança. Francisco cumprimentou-o respeitosamente, e profundamente comovido, desceu do animal e dirigiu-lhe palavras de fraternal carinho. Sentia-se em drama íntimo! “- Quem será mesmo esse homem? Estou diante de um ser imundo ou de um filho de Deus, credor de toda a minha atenção”? Pediu-lhe as mãos e beijou-as. Agora o amor borbulhava em seu coração como gotas de luz! Nesse sublime encontro com a dor alheia, Francisco mostrava-se realmente transformado! Começava uma grande revolução: o homem velho dava lugar ao novo. Agora ele percebia a verdadeira senda do seu destino! Não havia nascido por acaso! Pensou na possibilidade de um trabalho em que pudesse oferecer de si mesmo, a rosa que trazia na alma!Na época, havia muitas igrejas e conventos em ruínas. Então, a meta inicial seria reconstruir igrejas! A igreja de São Damião era uma delas, capelinha rústica com um único ornamento: um crucifixo bizantino sobre o altar! Diante dele, Francisco costumava rezar e um dia, Deus decidiu que Francisco era digno de ouvi-lo: Do Crucifixo saiu uma voz: -“Vai Francisco, conserta a minha casa que está caindo em ruínas”. A frase o acompanhou para o resto da vida! É evidente que não se referia somente às paredes estragadas do templo: mas foi por elas que ele iniciou. Tendo diferente conceito de valor, vendeu alguns tecidos da loja do pai e com o arrecadado comprou materiais para a restauração. Com o “roubo”, seu pai irado, na esperança de “recuperar” o jovem, levou-o para junto do Bispo. Era necessário escolher entre renunciar os bens da família ou retomar uma vida normal. Obviamente, escolheu a renúncia. Só assim sua conversão podia iniciar de maneira decisiva! Virando as costas à riqueza material, diz: -“eu irei ao encontro do meu Senhor!” Em praça pública, uma multidão de pessoas superlotava as dependências da sede episcopal. O Bispo diante do pai e do filho disse: - “Se sua intenção é verdadeiramente se consagrar ao serviço de Deus, deve restituir a seu pai todo o dinheiro dele, que talvez tivesse sido mal adquirido e que, por conseguinte, não poderá ser empregado em favor da igreja”. “- Senhor, com muito gosto restituirei ao meu pai as coisas que lhe pertencem.” Francisco caminhou para um aposento próximo e voltou em seguida completamente nu, deixando suas roupas, sandálias e algum dinheiro que lhe restava aos pés de seu pai e disse: “ - Até o presente chamei a Pedro Bernardone de meu pai. Agora lhe restituo tudo, de modo que não o chamarei mais de meu pai, porque o nosso único Pai, está nos Céus!” O Bispo abriu a capa e envolveu Francisco cobrindo a sua nudez, levando-o para o interior da residência episcopal. A partir daquele momento o “Povorello” (Pobrezinho) de Assis tornara-se inteiramente um servo de Deus. Retirou-se, afastando-se de tudo e de todos, retornando apenas a Assis após um ano, pois mantinha aceso no coração o compromisso de restaurar igrejas, a começar pela igrejinha de São Damião. Conseguiu auxilio com as famílias, no comércio e com autoridades civis e religiosas, até concluir seu trabalho. As pessoas o escutavam com atenção, respeito e admiração. Em seguida, restaura a igreja beneditina de São Pedro e logo depois, a igrejinha Porciúncula, chamada de Igreja de Santa Maria dos Anjos, próxima de onde fixou sua residência, onde durante uma missa, na manhã de fevereiro de 1209, ao ouvir o Evangelho, teve a inspiração de que aquelas palavras representavam uma nova “Ordem do Senhor” para ele. Celebrava-se naquele dia, a Festa do Apóstolo São Matias com o seguinte texto:“Proclamai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça daí... (MT 10,7-14).” Estes versículos ficaram em sua mente como a verdadeira revelação Divina, escrevendo em seu Testamento: “O Altíssimo dignou-se me revelar que eu deveria viver conforme o “Santo Evangelho” e revelou-me o modo de saudação que deveria usar: “O Senhor lhe dê a Paz!”
        Fazia então a sua pregação, simples e em qualquer lugar, convidando as pessoas para o exercício da paz e da fraternidade. Logo apareceram alguns discípulos que queriam imitá-lo, mas não tinha ainda escrito nenhuma Norma ou Diretriz de Vida, colocando-se nas Mãos de Deus a fim de que Ele inspirasse a sua conduta. Na igreja diante do Sacrário, abriu ao acaso a Bíblia por três vezes e leu as seguintes frases: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres e terás um tesouro nos Céus.” (Mt 19,21). Na segunda vez: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24) e finalmente na terceira vez: “Não queiras levar para viagem coisa alguma” (Luc 9,3). Decidiu então, deixar a cabana da Porciúncula (que significa pequena porção de terra) e transferiu-se para Rivotorto. Francisco com seus onze frades saiu de Assis e foi a Roma, para conseguir de Sua Santidade o Papa, uma autorização oficial para estabelecer a Ordem que ele fundou. Esta Ordem religiosa denominada dos Frades Menores, nascida em 1209, foi aprovada por Inocêncio III (que anteriormente tinha tido a visão da Basílica de São Pedro em ruínas e um homem, Francisco, que a sustentava). Eram os anos em que Clara de Assis muitas vezes aproximava-se do “Povorello”. Foram contatos tão intensos que provocaram a conversão da jovem que renunciou aos bens terrenos e fundou a segunda Ordem das Povere Dama (Ordem das Pobres Damas). O ninho da pobreza das monjas foi São Damião. Francisco e seus companheiros construíram diversas cabanas próximas à igreja de Santa Maria dos Anjos, onde podemos considerar o primeiro Convento Franciscano. Logo receberam nova falange de frades, alegres, dispostos e repletos de devoção por Francisco. Desde o tempo dos Apóstolos, jamais alguém tentara colocar em prática os ensinamentos e palavras de Jesus como fizeram Francisco e seus seguidores! Francisco fundou mais tarde, a Ordem Terceira, aberta indistintamente a padres, leigos, moças, jovens, viúvas, rapazes e cônjuges, todos que queriam seguir a regra franciscana. A estes foi estabelecido: - viver honestamente em suas casas, no trabalho, nas paróquias e no ambiente familiar; dar esmolas, atender as obras de caridade e, sobretudo amar a Deus e a nossa Mãe Santíssima. Sentia grande e profunda admiração por Nossa Senhora e sempre a referia com muita doçura e muito carinho! Francisco instituiu o Presépio, dando origem a uma das tradições mais amadas pela cristandade!
Nos últimos anos de vida
        Nos últimos anos de vida, Francisco diminuiu as suas viagens e missões, dedicando-se às orações e a escrever. Procurava ficar mais com seus frades, orientando, instruindo e dando a cada um o seu exemplo maravilhoso! Sua condição física estava comprometida com diversas doenças, ficou com sua saúde debilitada devido os jejuns frequentes. Sofria de hemorragias com frequência e também tinha uma doença nos olhos contraída quando esteve no Egito tentando converter o Sultão. Nas crises, havia momentos em que ficava quase que completamente cego!
O Grande Milagre
        No Monte Alverne, em estado de êxtase, reviveu o Apocalipse, descobrindo detalhes que antes não percebera e fechou os lábios por ordem do Sublime Comandante da Terra, só mais tarde falando novamente ao Seu discípulo: - Já foi dito o que se tinha a dizer. E continuou: - Quem tiver olhos para ver, que veja; quem tiver ouvidos para ouvir que ouça pelos meios da intuição e do raciocínio.
        Em 1224 no Monte Alverne foi, por assim dizer, o Calvário do Povorello de Assis, onde pedira a Jesus que antes de voltar à Pátria Espiritual, desejaria sentir as Suas chagas no próprio corpo. Foi lá que teve sua maior emoção espiritual em vida, onde recebeu o maior reconhecimento do Senhor:os estigmas. Todavia, Francisco não poderia mais estar materialmente presente entre as pessoas: doente, foi induzido pelos confrades a retirar-se e repousar, mas dentro daquele corpo espiritual estavam acumuladas valiosas experiências de sucessivas vidas, das quais três se destacam: de Profeta, de Apóstolo e de Santo. Santa Clara e suas irmãs o trataram em São Damião e foi neste período que ele ditou o Cântico das Criaturas, um texto de grande lirismo de onde emergem com força os ideais franciscanos. Pediu para ser levado à Porciúncula, pois percebia que estava prestes a deixar a esfera terrena onde começou a cantar o Salmo 141 de David. Quando o cortejo ia passando perto de um leprosário e alguém mencionou este nome, ele falou com alegria: - Meus filhos, eu desejava ver meus filhos do coração e como não posso vê-los com os olhos da carne, ficaria satisfeito em tocá-los. O calendário marcava a data de três de outubro de 1226. Rumaram ao hospital de Hansenianos e Pai Francisco os abençoava com toda ternura! Naquele quadro de Amor, dois leprosos foram curados pelo toque do Santo. Seus lábios ficaram vermelhos de sangue das chagas e ele, no encanto do amor, não quis que limpassem as marcas do seu convívio com os enfermos do coração! Lembrou-se de Clara, visualizou a sua figura como se estivesse à beira do seu leito, falando-lhe do Amor, daquele Amor que ultrapassa as barreiras do egoísmo e do ciúme, daquele que supera o da família e o da pátria, para somente concentrar-se no amor Universal, personificado pelo Cristo! Mandou chamá-la, porém ela não pôde comparecer. O Sol começava a apagar-se no poente e o som de sua voz foi se perdendo até emudecer inteiramente. E foi cantando que ele entrou na eternidade! Ao seu redor ,somente ouvia-se um sonoro e imprevisto coro de todas as aves, dando-lhe o último Adeus! Levado a Porciúncula, todos foram prestar a ultima homenagem a Francisco... Seus confrades transportaram o seu corpo para a Catedral de Assis, levando tochas acesas e um ramo de oliveira. Na manhã seguinte, o cortejo fúnebre alcançou São Damião, onde Clara e suas freiras pudessem ver pela última vez o seu pai espiritual. Frei Rogério viu com nitidez Pai Francisco subindo aos Céus refulgindo-se de luzes, ao encontro do Cristo! Diante do Mestre, os seus joelhos dobraram-se de emoção e Francisco chorou como criança! Jesus levantou-o com carinho e ele apoiado em Seu ombro, pediu com humildade: “-Mestre, se eu mereço a Tua benção, que ela seja dada aos companheiros que ficaram no mundo. Eles carecem da Tua ajuda agora e sempre!”.
        Fez mais uma pergunta: “-Mestre, e Maria, Tua e nossa Mãe Santíssima?”
        O silêncio dominou o ambiente e Francisco procurou buscá-la entre os que estavam presentes, mas não viu aquela que tanto amava, recordando o momento cruciante do Calvário. Rememorou todo o drama, e apurando os ouvidos espirituais ouviu, com alegria o que foi registrado no Evangelho e que ele mesmo escrevera (Cap.19 V: 26 e 27): “-Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: “- Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: - Eis aí a tua mãe.”Dessa hora em diante o discípulo a tomou para casa. Francisco de Assis chorou novamente, amparado por Jesus; o Mestre acariciando os cabelos do discípulo amado, como outrora, disse com profunda ternura: “-Meu filho! - Eis que aqui estamos te esperando para novos trabalhos que nos compete realizar. Somos conscientes de que ninguém morre e que o nosso Amor deve ser extensivo a todas as criaturas de Deus. Cumpriste o teu dever pisando no solo terreno e, por muitas vezes em espinhos dilacerantes. Renunciaste ao conforto do mundo, visualizando a paz das criaturas. Gastaste a última gota de energia em favor dos que sofrem! Tudo isso me agradou, porque deixaste um rastro de luz como exemplo, porque viveste o Evangelho na sua mais alta função de humildade, de desprendimento e de Amor!Que Deus te “abençoe.”
        E Francisco espírito agradecia ao Francisco corpo, onde olhou a sua feição melancólica pelo desgaste do corpo físico, ao qual ainda se achava ligado pelo cordão de vida e imprimiu em sua mente poderosa, uma feição de alegria! O rosto de Francisco corpo se iluminou, os presentes admiraram o fato, considerando-se mais um milagre do Pai. Francisco levantou-se para despedir-se de Assis e viu uma mulher, chorando e orando, e dentro do seu tórax viu bater um coração de luz! Era Clara! Com muita emoção abraçou-a e chorou com ela! Afastou-se, olhou para Clara, e viu nela companheira de outras eras!... Pegou em suas mãos e beijou-as e ela sentiu a sua presença espiritual e falou pelo pensamento: - Francisco!... - Queria ver-te antes de fechar os olhos na Terra, mas Deus não permitiu. Hei de ver-te, brevemente, com eles abertos na espiritualidade! O Amor que nos une sobreviverá em favor dos que sofrem eternidade afora... Clara sentiu um vento acariciar seu rosto como se fossem as mãos de Francisco! Ela agradeceu ao Senhor pelo prêmio da comunhão espiritual! Cerrou os olhos em oração e viu nitidamente Francisco de Assis acenando-lhe com as mãos em ascensão para o infinito! Francisco regressou à Pátria Espiritual, a fim de assumir novos encargos, como Preposto Divino a operar em favor das criaturas.
        Dois anos após a sua morte, Francisco foi beatificado por Onório IX em 1228.
        São Francisco de Assis é para nós um ponto de referência de reforma interior e humildade. É um marco na história religiosa da humanidade!

Bibliografia
Guia ilustrada de Assis – Autor Adriano Cioci
O Mundo de Francisco de Assis – Autor Ariston S. Teles, pelo Espírito Rabindranath Tagore
Workshop Irmão Alegria – A Vida de Francisco de Assis – Divaldo Pereira Franco
Francisco de Assis – João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez
Francisco de Assis, uma proposta para hoje – Frei Paulo Bettoni Oblak

Paz e Luz!
Laura 

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