Lindo"

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sobre a Eutanásia



 Nesse exato momento, quando o Congresso Nacional vota a alteração do Código Penal, discriminando, dentre outros delitos, a eutanásia, é urgente que possamos olhar essa prática nefanda com olhos de quem já viveu uma situação que poderia se enquadrar, facilmente, nos parâmetros de quem defende essa prática.
Há muitos anos fui diagnosticada com um câncer altamente invasivo e que causa dores extremas, pois se localiza nos nervos. Eu não tinha cura pela Medicina, o que me foi dito algumas vezes por médicos especialistas em São Paulo.
A doença chegou a um ponto em que eu estava com metástase em ambos os pulmões, não conseguia respirar sem o auxílio de oxigênio, que usava 24 hs por dia. As dores eram insuportáveis, a ponto de meu oncologista me encaminhar para uma médica especialista em dor, que me prescreveu os seguintes medicamentos (além dos que eu já usava para outros fins): morfina de 30 mg de 2 em 2 horas, neurontin de 400 mg de 8/8 hs, dicoflenaco de 6/6 h., tramal de 4/4 hs e mesmo assim as dores não cessavam.
Cheguei a um ponto em que não conseguia me locomover,  tive de usar fraldas.
A dor física era imensa, mas a dor emocional e moral eram maiores.
Ver meu marido,  minha filha, minha família e amigos sofrendo tanto, embora tudo fizessem para disfarçar em minha frente. As idas constantes para o hospital onde ficava por períodos infindáveis, fazendo com que me marido abandonasse tudo para ficar ao meu lado e minha filha ficasse com minha vizinha, sem qualquer membro da família, pois não havia ninguém com disponibilidade para ficar com ela, assim, ela perdeu a mãe e o pai por longos períodos.
Tudo isso gerava um sentimento de cansaço para continuar lutando uma luta que até os médicos achavam que era vã.
Confesso que o maior sofrimento era ver a dor nos olhos daqueles que amava, uma dor insuportável, pois nada podiam fazer para me arrancar daquele sofrimento todo.
Assim, por várias vezes rezei a Deus, pedindo que Ele me levasse logo, para acabar de vez com aquela angústia, com aquela situação abominável, a fim de que eu e meus amados pudéssemos descansar. Algumas vezes fiz isso chorando, pois a dor era insuportável, e meu marido, ao me flagrar naquela oração, acariciava minha cabeça (não havia cabelos) e chorava copiosamente.
Pois bem, Deus, entretanto, tinha outros planos, com o auxílio dos médicos espirituais houve uma reviravolta e o tratamento quimioterápico, contra todas as expectativas, surtiu efeito, e a doença foi debelada!
Claro que restaram as consequências, por um longo tempo ainda não conseguia caminhar (até hoje é impossível caminhar por um longo trecho), fiquei muito obesa, com problemas cardíacos causados por quimioterápicos, tenho excesso de sudorese especialmente na cabeça e rosto, meu braço direito não funciona bem, perdi vários dentes em conseqüência da radioterapia, ainda sinto muitas dores. Mas em contrapartida:
Resolvi dedicar minha vida para atenuar um pouquinho a dor de meu próximo. Agora, além de paciente sou voluntária no Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer – GAPC, Unidade Volta Redonda, onde encontrei uma nova família que me trás harmonia e felicidade. Essa semana vi se concretizar um sonho antigo: conseguimos inaugurar nossa Biblioteca, que certamente irá trazer muita alegria a muitos pacientes e seus familiares, e iniciando a implantação de um projeto de levar arte cultura para dentro do GAPC, pois esses são alimentos para a alma.
Resolvi fazer esse Blog, para compartilhar minhas idéias, as coisas que me fazem bem e as aulas que preparo para a Evangelização Infantil para todos. Pessoas de 29 países diferentes já acessaram meu blog!
Passei a confeccionar algumas peças de tricô para bebês, colocando em cada ponto meu desejo que a criança que usasse aquela roupinha tivesse muita paz, amor e harmonia em sua nova jornada.
Agora Deus me presenteou com a dádiva da vida: minha filha está grávida! Confesso que no início foi um grande susto, pois ela é adolescente e não esperávamos por isso, mas agora estou curtindo cada segundo de mais essa bênção! Eu, que lutei tanto para conseguir ver minha filha crescer recebi a dádiva de estar esperando para conhecer e conviver com meu neto (ou minha neta, ainda não sabemos!).
É certo que não tenho a agilidade física e intelectual, nem a beleza física de antes. Mas a minha existência se tornou uma profusão de amor, alegria e paz!
Apesar da fragilidade física, de estar impedida de exercer minha profissão devido às sequelas que ficaram, descobri que posso e estou fazendo a diferença por um mundo melhor!
Agora, imaginem se um médico, condoído com minhas dores atrozes, com o desespero de minha família e com meu pedido de que Deus me levasse logo tivesse resolvido me “ajudar”, dando-me um fim digno e acabando com minha dor?
Por favor,  me ajudem a divulgar minha história, quando eu pedia para Deus me levar realmente não estava em minha perfeita capacidade. O sofrimento atroz meu e de meus entes mais queridos como que “embotou” meu psiquismo.
Acreditem,  só Deus sabe quando é efetivamente a hora de partimos para a Pátria verdadeira.
Quando um paciente terminal diz “não agüento mais, estou cansado”  ele realmentre está, mas dentro, lá dentro,  ele ainda tem a esperança de voltar à vida!
Espalhem minha história, lutem pela Vida, ajudem-me a fazer essa realidade chegar junto àqueles que possuem o poder para parar com essa insanidade:
DIGAM NÃO À EUTANÁSIA!
Paz e Luz!
Laura

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