Lindo"

terça-feira, 24 de abril de 2012

Teatro - A Goiabeira Mágica




Teatro “A Goiabeira Mágica”



(Montar o cenário com uma mesa, duas cadeiras e dois notebooks, os apresentadores deverão ficar sentados à mesa. Colocar atrás uma cortina. Se possível, emoldurar a mesa com uma faixa de madeira, isopor pintado ou papelão, para simular uma televisão.)
Irineu: Boa tarde. Bem vindos a mais uma edição do telejornal da tarde.
Nilce: Hoje apresentaremos uma reportagem maravilhosa. É sobre um exemplo a ser seguido.
Irineu: Dentre tantas coisas ruins que estão acontecendo no mundo nossos repórteres encontraram um lindo exemplo de amor ao próximo, que merece ser seguido. Vamos assistir à reportagem, é com você, Alceu:
(O Alceu deve se posicionar do lado esquerdo da televisão.)
 Repórter Alceu: Boa tarde, Irineu, boa tarde, Nilce. Estamos aqui para averiguar uma informação recebida em nossa sede. Chegou ao nosso conhecimento que uma goiabeira do bairro, ao invés de frutos e flores, está produzindo comida, roupas e material escolar! Nosso colega Ronaldo está em frente a essa maravilha, boa tarde, Ronaldo.
(Montar no cenário uma goiabeira com várias sacolas de supermercado penduradas nos galhos, cadernos, livros - ESE, LE, livros espíritas infanto-juvenis - roupas, sapatos etc)
Repórter Ronaldo: Boa tarde, Alceu. Isso mesmo, estou aqui com a Sra. Elvira, uma das moradoras do bairro, em frente à “goiabeira da caridade”, como já está sendo chamada. Bom dia, Sra. Elvira.
D. Elvira: Bom dia, Sr. Ronaldo.
Ronaldo: Há quanto tempo a senhora mora nessa rua?
D. Elvira: Desde que eu nasci.
Ronaldo: A senhora pode nos contar como é que pode uma goiabeira produzir comida,  roupas e material escolar? Desde quando isso começou a acontecer?
D. Elvira: Ah, meu filho, há mais ou menos um mês quando eu sai para ir comprar pão vi umas sacolas de pão dependuradas  e também umas caixinhas de leite e saquinhos de pó de café. Achei estranho, mas logo as crianças da rua de cima, que são muito pobres, estavam descendo para ir para a Escola e correram alegres para a goiabeira. Comeram os pães, beberam o leite e levaram o pó de café para casa. No dia seguinte além do que já tinha tido na véspera a goiabeira “deu” macarrão, arroz, feijão. E a cada dia ela dá mais alimentos, e de uma semana para cá começou a “dar” também roupas, sapatos e material escolar.
Ronaldo: E a senhora sabe quem está colocando isso aí?
D. Elvira: Bem que eu queria saber, mas parece que é mágica, ninguém vê nada.
Ronaldo: Obrigado, D. Elvira. Agora é com você, Alceu:
Alceu: Vou conversar com o Miguelzinho, um dos beneficiários da “goiabeira “. Bom dia, Miguelzinho.
Miguelzinho: Oi, seu repórter, vou aparecer na televisão mesmo?
O repórter faz uma cara meio estranha e engraçada, virando os olhos para cima:
Alceu: Vai sim, Miguelzinho, mas vamos à entrevista. Como foi a estória que você me contou?
Miguelzinho se emperdiga todo, arruma o cabelo, faz umas caretas e, por fim, responde: Ah, foi um dia que eu “tava” indo prá escola com meus amigos, com muita fome, porque só tinha comigo a merenda da escola no dia anterior. Daí, vimos essa goiabeira mágica cheia de pão com manteiga, leite, chocolate e avançamos correndo para comer. Sabe como é, a gente tava com muita fome. Daí todos os dias a goiabeira mágica dá além do café da manhã comida prá gente levar prá casa, e meu colega resolveu deixar um bilhete pedindo umas roupas e sapatos e ela ta dando também. Mas a gente só pega o que precisa.
Alceu: E quem você acha que está colocando as coisas aí?
Miguelzinho faz uma cara espantada e responde, cada vez mais alterado:  Ninguém, ora, a goiabeira é boazinha e o senhor a ofende assim pensando que alguém coloca o que precisamos aí? Não tem vergonha? E se ela ficar com raiva e parar de dar isso tudo? O senhor vai matar nossa fome?
O repórter vai se afastando, fazendo gestos de conciliação, e fala: Não é nada disso, desculpe, Miguelzinho, não quis ofender.
Miguelzinho cruza os braços e diz: Estou esperando.
 Alceu: Esperando o que?
Miguelzinho: O senhor não tem que pedir desculpas para mim, mas para a goiabeira. Anda logo!
O repórter, meio sem graça, vira-se para a goiabeira e diz: Desculpe, Dona Goiabeira.
Miguelzinho: Agora sim, e vou aproveitar para mandar um beijo prá minha mãe, pro meu pai, pro me...
Alceu, fazendo gestos vigorosos com os braços: Corta, corta! É com vc, Irineu.
Irineu: Bem, caros espectadores, aparentemente estamos diante de um mistério insondável.
Nilce: Voltaremos amanhã com novas notícias. Boa tarde.
Saem do palco. Rapidamente o cenário é mudado para um lindo jardim, onde é colocado um banco. Enquanto se troca o cenário, o narrador fala:
“Enquanto isso, na Colônia Espiritual que fica acima do espaço físico de Volta Redonda, alguns espíritos estão sentados em um banco na praça, conversando:”
- Clésio: Ah, irmãos, como é bom encontrar irmãozinhos encarnados receptivos às nossas sugestões para o bem!
- Leonardo:Nem me fale, Irmão Clésio, é uma alegria muito grande. Logo que ficou determinado que desenvolvêssemos uma ação junto aos nossos tutelados para sanar de imediato o problema da falta de  recursos financeiros para as necessidades mais básicas do grupo de irmãos encarnados na favela para terem campo fértil a fim de desenvolverem suas missões de progresso para aquela área contactamos os mentores espirituais dos irmãos que residem nas proximidades. Foi uma árdua tarefa, até que nosso irmão Juliano, protetor do Miguelzinho, lembrou-se da Dona Nina, uma irmã tutelada pelo irmão Creonte, que tem um projeto reencarnatório de total dedicação ao próximo, mediante o exercício da caridade, e que o vem cumprindo fielmente, estando a Irmã vinculada ao Centro Espírita Francisco de Assis, localizado naquele bairro. Mas vou deixar o mentor da Irmã Nina contar a história. (Aponta, sorrindo, com a cabeça para o Irmão Creonte, que retribui serenamente o sorriso).
Creonte: Bem, primeiramente boa tarde. É uma alegria servir ao Mestre Jesus, principalmente quando encontramos receptividade nos encarnados. Logo que soube da urgência de tomarmos providências para prover as necessidades de nossos irmãos, juntei-me a uma equipe de socorristas e durante o sono do corpo físico de nossa Irmã Nina pudemos conversar com a mesma, fazendo-a perceber a delicadeza da situação. Ela, então, elaborou uma estratégia maravilhosa: de madrugada levantou-se, preparou vários pães, leite quente com chocolate e café, pendurando-os em uma goiabeira próxima, onde fatalmente nossos irmãozinhos necessitados iriam passar. Escondeu-se atrás do muro e observou a alegria das crianças famintas, mas sensibilizou-se ao ouvir de um deles que em casa não havia nenhum mantimento para fazer comida.
Clésio - Assim, elaborou novo plano: dirigiu-se naquela mesma manhã ao Centro Espírita, a fim de ter uma conversa privada com a Presidente. Juntas resolveram entregar cartas aos trabalhadores da Casa solicitando mantimentos para famílias necessitadas, lembrando-os de manter profunda descrição quanto a carta e a doação. Assim, logo no dia seguinte a Irmã Nina pode suprir os irmãozinhos com alimentos. Acontece que quando chegou na goiabeira, viu um bilhetinho escrito pelo Miguelzinho, que estava com os pés machucados por não te um calçado e ao menos roupas decentes para vestir.
Leonardo - Novamente D. Nina acionou os amigos e ocorreu o que o noticiário acabou de anunciar, mesmo que de forma sensacionalista poderá inspirar outros irmãos encarnados a fazerem o mesmo.
Creonte – É, a Irmã Nina e seus companheiros da Casa Espírita seguiram ao pé da letra a lição de nosso Mestre Jesus: “Fazei o bem sem ostentação. Não saiba a vossa mão esquerda o que faz a direita”.
Clésio – E o que os irmãos ainda não sabem é que graças à ação da irmã Nina e demais servidores da Casa Espírita, que colocaram na goiabeira vários exemplares do Evangelho Segundo o Espiritismo para Infância e Juventude, do Livro dos Espíritos para Crianças e Juventude e outros livros espíritas infanto-juvenis Miguelzinho e seus amigos irão aproximar-se da Casa Espírita, onde terão suporte para desenvolverem suas missões: Miguelzinho está destinado a se um grande médico especializado em atuar com comunidades carentes, Joãozinho irá descobrir a cura de uma doença que trás muita dor ao mundo, Lucinha será uma grande artista plástica, que irá embelezar o mundo com sua arte inspirada no Amor do Pai, cinco desses jovens formarão uma banda para levar a todo o mundo o Evangelho de Nosso Senhor através da música, e todos serão aprendizes e seguidores de nosso Mestre Jesus. Suas vidas serão farol que iluminará o mundo nessa era tão difícil. Tudo graças aos Irmãos encarnados que se mantiveram em oração e vigilância, aprimorando-se pelo estudo e a disciplina, podendo assim “ouvir” e aceitar nosso pedido.
Leonardo – Vamos agradecer ao Pai por mais essa vitória do bem:
Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! 
Deus, dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. 
Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!
Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,  para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. 
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder! Oh Bondade! Oh Beleza! Oh Perfeição! E queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
Assim Seja.”
 Paz e luz,
Laura










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